Umas das histórias mais marcantes do meu tempo de faculdade, foi um belo dia no meu primeiro ano, eu e a minha colega de casa, tivemos a brilhante ideia de dar um jantar lá em casa, em que convidamos alguns colegas.
Foi um jantar bem animado e bem bebido para alguns, ao que às tantas chega um colega meu ao pé de mim e me diz estas belas palavras: “o Zé vomitou a varanda do vizinho de baixo”… Ainda guardo na memorio essa frase, como se fosse hoje, eu que era toda “certinha” nessas coisas e tinha acabo de criar problemas com os vizinhos.
Os vizinhos de baixo eram uns senhores idosos, nada afectuosos, nada simpáticos e por por forma a evitar mais problemas obriguei-o a ir limpar a varanda “às tantas da madrugada”, mas isso não me ilibou, nem à minha colega de casa de ouvirmos um “raspante” no dia a seguir, sobre as companhias que tínhamos. Nós bem tentamos fugir deste encontro de primeiro grau, mas não foi possivél….
Sempre tive como referência uma excelente dona de casa, que é a minha mãe. Ela é a perfeição em pessoa no que toca a este assunto, cozinha muito bem, deixa a roupa super cheirosa e bem engomada, tem uma horta, tem animais, etc. Resumindo, cresci tendo a minha mãe como referência, mas nunca aprendi nada, nadica de nada com ela.
Não aprendi, pois sempre que ela me tentava ensinar, as coisas não corriam bem... Eu desesperava, porque não conseguia fazer as coisas como ela e ela desesperava com falta de paciência para me ensinar, acabavamos as duas por desistir e os anos foram passando...
Quando sai de casa, só saiba as coisas básicas e mal, mas levava uma frase da minha mãe na cabeça “um dia ainda me vais dar valor” e eu dava, mas ela nunca me deixou aprender com os erros e se eu não sabia grande coisa, a culpa era minha, mas ela também tinha um pouco de culpa...
Nem pensei nisso, quando tomei a decisão de sair de casa... Simplesmente sai de casa e deparei-me com os "problemas", que afinal nem eram assim tão grandes como ela "pintava", pois os tempos são outros, ora vamos lá ver:
quem é que hoje em dia tem quintal?! muito pouca gente e eu decidamente que não queria fazer parte desse grupo de pessoas , pois nem sei como pega no enxada, quando é que plantam as alfaces, couves e afins;
animais (quando falo em animais, não são animais de estimação)?! novamente muito pouca gente, mais um problema resolvido , pois não me estava a ver a andar a matar galinhas p.e., mais depressa morria eu com o stress;
por a roupa a lavar?! mas a roupa não aparece por milagre lavada e passada?! Infelizmente não, mas ai precavi-me e levei umas instruções base de casa e não nada que não se aprenda e que o google não saiba ajudar p.e. com nódoas dificéis;
comida?! mais uma vez levei instruções base de casa e depois o google e o youtbe são os nossos melhores amigos.
e parte mais engraçada, que é a impeza?! essa deve ser como instinto maternal, nasce com connosco e mais "pontapé menos pontapé", tudo se faz ;
Como vêm ideias/soluções não me faltaram, mas o certo é que os tempos são outros e felizmente o meu marido ajuda-me em muitas coisas, mas de qualquer forma, as coisas não somo antigamente... Onde se começava a pensar/preparar o jantar do dia seguinte, no dia anterior, etc.
Recebi um convite muito especial de uma menina, a Carolina Cruz, do blog "Gesto, Olhar e Sorriso", onde o convite consistia na participação numa rubrica intitulada "completas-me". A minha participação nesta rubrica consistia em eu elaborar uma parte de um texto e ela completar, e daí resultou o seguinte post "# Completas-me 18 - Com a Melhor Amiga!", passem por lá para ver a nossa história de "amor", escrita a duas mãos e aproveitem para conhecer o blog dela.
(Este post é da inteira responsabilidade do meu marido)
Bem, como não sabia sobre o que escrever e como neste momento estou deitado como o meu tesouro (a minha filha, ela está doentinha…), decidi escrever acerca do que é ser pai e de todos os medos que tinha e ainda tenho.
Mas primeiro quero responder à minha querida esposa (melhor amiga), não sou nem nunca fui de “deixar tudo para a última”, simplesmente me esqueci que tinha que escrever o post e quando ela me lembrou, tinha nessa noite deixado o PC no escritório (foi a primeira vez)!
Posto isto, vou começar pelo início e para isso tenho que explicar o porquê do meu medo de ser Pai, apesar de já o querer ser há muitos anos!
Há alguns anos atrás li um artigo que a personalidade das pessoas dependia do produto de:
40% da educação/vivências familiares durante o crescimento até ao final da adolescência;
40% era genético;
20% era tudo o resto (a educação na escola, vivência com amigos, etc…).
Este artigo nunca me saiu da cabeça, porque se 80% era relacionado com a família, isso preocupava-me e muito… Para ser franco, não tive uma infância/adolescência fácil/feliz, até aos meus 13/14 anos e o meu pai para mim era o meu tio (tinha e ainda tenho uma enorme divida de gratidão para com ele), depois dessa idade passaram a ser todos os meus amigos mais chegados (o motivo pelo qual me distanciei do meu tio foi, com o processo de divórcio dos meus pais, estes “afastaram” o meu tio de mim… Foi muitíssimo difícil na altura!!!). Atenção eu não estou a dizer que não tinha pai, tinha e ainda tenho, simplesmente nunca foi um Pai para mim, desde violência física, verbal, nunca soube o que era carinho, etc…
E era isto basicamente que me preocupava, se eu me podia tornar algo parecido com o meu pai (não esquecer que teoricamente isso contava 80%). A minha sorte para esses 80% foi o meu tio, a minha irmã, o meu irmão mais novo e um pouco a minha mãe! Claro que não concordo com essas percentagens, pois 50% da minha personalidade foi moldada por todos os meus amigos e a família da minha mulher e outros 50% foi a parte genética materna (o meu tio é irmão da minha mãe) e as vivências com aqueles que referi anteriormente e o meu inconsciente simplesmente ignorou tudo o que era relacionado com o meu pai.
Mas conscientemente e inconscientemente sempre tentei ser precisamente o inverso do meu pai e acho que consegui, pois a minha filha “só me quer a mim”!!! É óbvio que ela ama muito a mãe, mas ela é a verdadeira menina do papá (o que me deixa bastante orgulhoso e sem palavras).
O meu medo futuro é caso tenha outro filho/a se irei conseguir continuar a dar toda a atenção que ela merece (a que tenho dado a até agora) inconscientemente, pois conscientemente irá ser sempre a mesma, o máximo e o melhor de mim!!!